A caverna Lechuguilla, localizada no estado do Novo México, Estados
Unidos, ficou isolada do mundo por mais de 4 milhões de anos.
Isso fez dela um dos mais primitivos ecossistemas da Terra. A boa
notícia é que ela está cheia de bactérias resistentes aos antibióticos
modernos, chamadas de “superbactérias”.
A caverna foi isolada do resto do mundo devido a uma espessa camada de
pedra que se formou à sua volta. Só a água conseguiu penetrar através
das rochas, mas o caminho é tão minúsculo e sinuoso que levou dez mil
anos para se alcançar a caverna. O que significa que nenhuma nova forma
de vida conseguiu chegar lá até que uma entrada fosse escavada em
1984.
É por isso que a descoberta das bactérias resistentes é tão intrigante.
Não apenas pelo fato destas bactérias terem evoluído sem contato com a
medicina moderna, mas também porque elas têm vinte vezes a idade dos
humanos. Mas isso não significa que a caverna seja uma bomba relógio
bacteriana. Afinal, nenhum dos tipos encontrados poderia causar doenças
nos humanos. Elas são como “superinsetos” no que diz respeito à sua
resistência aos antibióticos, e não ao seu perigo para nós.
Algum motivo existe para que
essa resistência tenha surgido, e a explicação mais óbvia é que os
organismos tenham encontrado antibióticos naturais – possivelmente
produzidos por elas mesmas ao se defrontarem com micróbios próximos que
competiam pelo espaço. Quando surgiram os antibióticos, elas tiveram
que brigar com eles, como observa o pesquisador Gerry Wright, da
Universidade McMaster
Os pesquisadores dizem ainda que, entre todos os diferentes tipos de
bactérias encontrados na caverna, eles puderam identificar praticamente
todas as formas de resistência antibiótica conhecida pela ciência
médica. Um deles ainda mostrou uma forma de resistência ainda não
conhecida em um ambiente clínico. É um tipo levemente ligado às
bactérias do antraz, é bom ter um aviso precoce desta ameaça em
potencial. A descoberta dá aos cientistas uma chance para que sejam
preparados remédios para isso.

Outro feito da descoberta é mostrar o quão disseminada é a resistência a
antibióticos nas bactérias, e que o surgimento deste tipo de
resistência se deve a outros fatores além de uma má administração das
drogas por parte de humanos. Os pesquisadores encontraram bactérias
resistentes a pelo menos um antibiótico, e algumas que resistiam a
dúzias deles.
A descoberta ajuda a explicar porque essas “superbactérias” conseguiram
surgir tão rápido em hospitais e fazendas, os lugares onde mais se usa
os antibióticos. Os estudos mostram que “superbactérias” causadoras de
doenças levariam milhares, talvez milhões de anos para surgirem sem
alguma ajuda.
A descoberta é um grande passo para a medicina, mas que ainda não se concretizou completamente, pesquisadores precisam encontrar esses antibióticos naturais.
A descoberta é um grande passo para a medicina, mas que ainda não se concretizou completamente, pesquisadores precisam encontrar esses antibióticos naturais.
Talvez eles estejam na própria caverna ou então no DNA das bactérias.
Pelo menos até lá temos a consciência de que a resistência a
antibióticos é um problema muito mais antigo do que acreditávamos.
Fonte:http://jornalciencia.com
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